Resposta rápida
- O grampeador é um dispositivo cirúrgico descartável que, em um único movimento, retira o excesso de pele do prepúcio e fecha a ferida com grampos dispostos em círculo.
- Nos estudos, comparado à técnica convencional, ele mostrou cirurgia mais rápida, menos sangramento, menos dor e menos complicações, com resultado estético uniforme.
- Desvantagens: custo maior, por causa do dispositivo, e a necessidade frequente de retirar restos de grampos no consultório.
- Os grampos começam a cair sozinhos em cerca de 2 a 3 semanas. Os que ficam são retirados facilmente pelo urologista.
- Volta à rotina: trabalho sem esforço físico na mesma semana. Relação sexual e academia a partir de 4 semanas.
A postectomia, a cirurgia de fimose, é feita há séculos com bisturi e pontos manuais. Nos últimos anos, os grampeadores circulares descartáveis mudaram essa cirurgia: em vez de cortar e costurar ponto a ponto, o dispositivo faz as duas coisas ao mesmo tempo, de forma padronizada. Para entender a fimose e quando a cirurgia é indicada, leia também Postectomia (cirurgia de fimose) em adultos.
Como o grampeador funciona
O grampeador para postectomia tem duas partes principais: uma campânula, uma peça em forma de sino que protege a glande, e o corpo do grampeador, que contém uma lâmina circular e uma fileira de grampos.
- Medida: o urologista mede a glande para escolher o tamanho certo do dispositivo.
- Posicionamento: a campânula é colocada sobre a glande, por dentro do prepúcio, e a pele é ajustada na altura exata em que será feito o corte.
- Disparo: com um único acionamento, a lâmina circular retira o excesso de pele e, no mesmo instante, os grampos fecham a ferida em todo o seu contorno.
- Conferência: o dispositivo é retirado, o cirurgião revisa a linha de grampos e, se necessário, dá algum ponto adicional para garantir que não haja sangramento.
- Curativo compressivo e fim do procedimento.
O resultado é uma linha de cicatriz circular, regular e simétrica, porque a pele é cortada e fechada por igual em toda a volta.
O que os estudos mostram
O maior estudo sobre o tema é um ensaio clínico randomizado com 879 homens adultos, publicado em 2015 em uma revista científica brasileira, que comparou o grampeador com a técnica convencional:
| Resultado | Grampeador | Convencional |
|---|---|---|
| Tempo de cirurgia | 6,8 minutos | 24,2 minutos |
| Sangramento durante a cirurgia | 1,8 mL | 9,4 mL |
| Dor durante a cirurgia (escala de 0 a 10) | 0,8 | 2,4 |
| Dor 1 hora depois (escala de 0 a 10) | 4,0 | 5,8 |
| Complicações no total | 2,7% | 7,8% |
| Inchaço grave | 5 de 441 | 18 de 438 |
| Abertura da cicatriz | nenhum caso | 5 casos |
| Satisfação dos pacientes | semelhante nos dois grupos | |
Uma metanálise publicada na revista Scientific Reports, que comparou vários tipos de dispositivos com a técnica convencional, chegou a conclusões parecidas: os grampeadores circulares tiveram menos sangramento, cirurgia mais rápida, a melhor cicatrização e a menor dor, mas com custo maior.
Estudos mais recentes também mostram notas mais altas de aparência da cicatriz, dadas pelos pacientes e pelos cirurgiões, e retorno ao trabalho um pouco mais cedo com o grampeador.
A maior parte dos estudos sobre grampeador vem da China, onde o dispositivo foi desenvolvido, e muitos são de um único centro. Os resultados são consistentes entre si, mas ainda faltam estudos grandes em outros países e com acompanhamento de longo prazo.
Vantagens do grampeador
- Cirurgia mais rápida, o que significa menos tempo de anestesia.
- Menos sangramento, porque os grampos fecham a pele no mesmo instante do corte.
- Menos dor durante e logo depois da cirurgia.
- Menos inchaço grave e menos abertura da cicatriz, segundo o estudo randomizado.
- Resultado estético uniforme, com cicatriz circular e regular, independentemente da habilidade manual em cada ponto.
Desvantagens e limitações
- Custo maior: o dispositivo é descartável, de uso único, e encarece o procedimento. No estudo randomizado, o custo foi quase três vezes maior que o da técnica convencional.
- Restos de grampos: nem todos os grampos caem sozinhos. No estudo, 88% dos pacientes precisaram que o médico retirasse grampos restantes, um procedimento rápido feito no consultório.
- Grampos que ficam muito tempo podem aumentar o incômodo e a marca da cicatriz, por isso o retorno para revisão é importante.
- Nem todo caso é ideal para o grampeador. Fimose muito fechada, inflamação ativa, cicatrizes extensas ou algumas alterações anatômicas podem exigir adaptação da técnica ou a técnica convencional. Essa avaliação é feita na consulta.
Grampeador ou técnica convencional?
| Com grampeador | Convencional | |
|---|---|---|
| Corte e fechamento | Automáticos, em um único movimento | Manuais, ponto a ponto |
| Tempo de cirurgia | Menor | Maior |
| Sangramento e dor | Menores, segundo os estudos | Maiores |
| Cicatriz | Circular e padronizada | Depende mais da execução de cada ponto |
| O que cai depois | Grampos, com retirada dos restantes no consultório | Pontos de fio, que se dissolvem |
| Custo | Maior, pelo dispositivo | Menor |
As duas técnicas resolvem a fimose de forma definitiva. O Dr. Matheus realiza as duas, e a escolha leva em conta o seu caso, as suas prioridades e o orçamento.
Quer saber se o grampeador é indicado para você?
Na consulta, o Dr. Matheus avalia o seu prepúcio, explica as técnicas disponíveis e indica a melhor para o seu caso. Presencial em Campos dos Goytacazes ou online.
Como é o dia da cirurgia
- Local: nos casos atendidos pelo Dr. Matheus, em ambiente hospitalar, no formato day clinic, com alta no mesmo dia.
- Anestesia: local, com bloqueio dos nervos da região, associada à sedação feita por médico anestesiologista. Você fica relaxado e sem dor.
- Duração: em média 30 minutos, incluindo o preparo e a anestesia.
- Preparo: jejum por causa da sedação, roupas confortáveis e acompanhante para voltar para casa. As orientações completas são passadas na consulta.
Recuperação e queda dos grampos
- Primeiros diasRepouso, curativo conforme orientação, cueca firme para manter o pênis apoiado para cima e remédio simples para dor. Algum inchaço é esperado e tende a ser menor que na técnica convencional.
- Primeira semanaSe o seu trabalho não exige esforço físico, já é possível voltar a ele ainda nessa semana. A linha de grampos forma uma pequena crosta. A glande exposta fica sensível ao atrito com a roupa, o que melhora aos poucos.
- Entre 2 e 3 semanasOs grampos começam a se soltar sozinhos, junto com a crosta. Os que ficarem presos são retirados no consultório, de forma rápida e praticamente sem dor.
- A partir de 4 semanasCom a cicatrização, em geral há liberação para relação sexual, masturbação, academia e esportes.
- Até 3 mesesO inchaço residual desaparece e a cicatriz fica mais clara e macia.
Mesmo que um grampo pareça solto, não tente arrancar. Puxar antes da hora pode abrir a cicatriz ou causar sangramento. Se incomodar, fale com o seu médico.
- sangramento que não para com compressão leve;
- inchaço que aumenta muito ou fica roxo e tenso;
- febre, pus ou vermelhidão que se espalha;
- dificuldade para urinar.
Dúvidas e mitos
"Os grampos ficam para sempre"
Não. Os grampos são temporários: caem sozinhos com a cicatrização ou são retirados no consultório. Não fica nenhum material dentro da pele.
"Cirurgia de fimose a laser é a mesma coisa"
Não. O laser é apenas uma forma de cortar a pele, e o fechamento continua sendo feito com pontos. O grampeador corta e fecha a pele ao mesmo tempo, com resultado padronizado.
"O grampeador diminui a sensibilidade"
A técnica não muda o efeito da postectomia sobre a vida sexual. Os estudos sobre circuncisão não mostram prejuízo na função sexual, na sensibilidade nem na satisfação.
Perguntas frequentes
A cirurgia de fimose com grampeador dói?
Durante a cirurgia, não: ela é feita com anestesia local e sedação. Nos estudos, a dor durante e logo depois da cirurgia foi menor com o grampeador do que com a técnica convencional. Nos primeiros dias, o desconforto é controlado com remédio simples.
Quando os grampos caem depois da postectomia?
Os grampos começam a se soltar sozinhos em cerca de 2 a 3 semanas, junto com a crosta da cicatriz. Os que ficarem presos são retirados no consultório, de forma rápida.
Quando volto ao trabalho depois da cirurgia com grampeador?
Se o seu trabalho não exige esforço físico, em geral na mesma semana. Trabalho com esforço, academia e esportes, a partir de 4 semanas.
Preciso tirar os grampos no consultório?
Muitas vezes sim. Em um grande estudo, 88% dos pacientes precisaram que o médico retirasse grampos restantes. É um procedimento rápido e praticamente sem dor, feito na consulta de retorno.
Quanto tempo dura a cirurgia com grampeador?
Em média 30 minutos, incluindo o preparo e a anestesia. Nos estudos, o grampeador reduziu bastante o tempo de cirurgia em comparação com a técnica convencional.
Quando posso ter relação sexual depois da cirurgia com grampeador?
Em geral a partir de 4 semanas, depois da cicatrização e conforme a liberação do urologista.
A cirurgia com grampeador é melhor que a convencional?
Os estudos mostram vantagens do grampeador: cirurgia mais rápida, menos sangramento, menos dor, menos complicações e cicatriz uniforme. As desvantagens são o custo maior e a retirada de restos de grampos. As duas técnicas resolvem a fimose, e a escolha depende de cada caso.
A cicatriz do grampeador fica bonita?
A cicatriz tende a ser circular, regular e simétrica, porque o corte e o fechamento são feitos por igual em toda a volta. Ela fica mais clara e macia ao longo de cerca de 3 meses.
Todo mundo pode fazer a cirurgia com grampeador?
Na maioria dos casos, sim. Fimose muito fechada, inflamação ativa, cicatrizes extensas ou algumas alterações anatômicas podem exigir adaptação ou a técnica convencional. A avaliação é feita na consulta.

Sobre o autor
Dr. Matheus Martins é urologista em Campos dos Goytacazes (RJ), CRM RJ 52925519, RQE 28656. Há mais de 10 anos dedicado à saúde do homem, com mais de 10.000 pacientes atendidos. Conhecido nas redes como @urologistadescomplicado, explica a urologia sem rodeios e sem constrangimento.
Referências
- Jin XD, Lu JJ, Liu WH, Zhou J, Yu RK, Yu B, Zhang XJ, Shen BH. Adult male circumcision with a circular stapler versus conventional circumcision: a prospective randomized clinical trial. Brazilian Journal of Medical and Biological Research, 2015;48(6):577 a 582.
- The characteristics of circular disposable devices and in situ devices for optimizing male circumcision: a network meta-analysis. Scientific Reports, 2016;6:25514.
- Chen H, Lou Y, Yang L, Zhou P. Stapler vs. sleeve circumcision for multiple penile condylomata acuminata: a comparative study. Frontiers in Surgery, 2026;13:1846470.
- Morris BJ, Krieger JN. Does male circumcision affect sexual function, sensitivity, or satisfaction? A systematic review. Journal of Sexual Medicine, 2013;10(11):2644 a 2657.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individual. Cada caso deve ser avaliado em consulta. Última revisão médica em 04/11/2026.